Vista aérea do cordão arenoso da Restinga da Marambaia entre o oceano e a Baía de Sepetiba

Mangaratiba, Costa Verde, Rio de Janeiro

Edição documental, 2026

Arquivo de paisagem, memória e permanência

Marambaia,
território vivo.

Uma leitura da ilha por suas praias, fotografias, escolas, festas, instituições: e, sobretudo, pelas pessoas que fizeram da Marambaia casa.

Começar

Foto: Diego Baravelli, 2017. CC BY-SA 4.0

Como ler a Marambaia

Geografia sem atalhos

Ilha, restinga e território são histórias conectadas: não sinônimos perfeitos.

A Restinga da Marambaia é o longo cordão arenoso entre a Baía de Sepetiba e o oceano. No extremo oeste fica o maciço montanhoso conhecido como Ilha ou Pontal da Marambaia, ligado à restinga pela Ponta da Pombeba. É nessa porção de Mangaratiba que se concentram muitas das localidades e memórias reunidas aqui.

Este site não apresenta a Marambaia como “paraíso vazio”. Trata-se de um território quilombola vivo, com moradia, escola, trabalho, religiosidade e cultura, que também abriga instalações da Marinha do Brasil e áreas ambientais sensíveis.

≈ 42 kmextensão aproximada do cordão arenoso da restingaUFRRJ ↗
52,9939 haárea coletiva titulada pelo Incra em seis glebas, em 2015Incra ↗
250 de 254residentes quilombolas no território delimitado, Censo 2022IBGE ↗
01Praias e localidades12 lugares documentados 02Fotografias históricasArquivo e paisagem 03Vozes de moradoresMemórias em primeira pessoa 04Cultura quilombolaFestas, jongo e território 05Escola de PescaDarcy Vargas e Levy Miranda 06Marinha do BrasilPresença e cronologia

Praias e localidades

Atlas afetivo da costa

Cada enseada tem nome, vizinhança e memória.

Os nomes abaixo aparecem em fontes comunitárias, acadêmicas e no Portal de Turismo Costa Verde. As grafias variam, a costa muda e nenhum destes registros significa acesso turístico liberado.

Faixa de areia clara, água calma e montanhas cobertas por Mata Atlântica na Marambaia
Foto: Luizf.andrade, 2013, CC BY-SA 3.0
01Localidade tradicional

Praia do Sino

Topônimo recorrente no setor sudoeste, presente em inventários ecológicos e roteiros de memória local.

Fonte local ↗
02Pesca e moradia

Pescaria Velha

Localidade ligada ao trabalho pesqueiro e à moradia. Registros sobre um naufrágio próximo não equivalem a autorização de mergulho.

Portal Costa Verde ↗
03Topônimo comunitário

Caetana

Também encontrada como Kaetana ou Catana, mostra como a memória oral preserva diferentes grafias para o mesmo lugar.

Levantamento botânico ↗
04Sabores da comunidade

Praia José

Próxima à Praia Suja, aparece em proposta comunitária de pesca e culinária. Qualquer roteiro depende de autorização formal.

Conhecer a história ↗
05Restinga estudada

Praia da Cutuca

Também grafada Kutuca, Catuca, Butuca ou Cutuê. A localidade aparece em pesquisas sobre a fauna da restinga.

Pesquisa UFRRJ ↗
06Paisagem costeira

Praia Grande

Localidade reconhecida por inventários ecológicos e comunitários; seu nome não deve ser confundido com praias homônimas da Costa Verde.

Coleção Costa Verde ↗
07Núcleo comunitário

Praia Suja

Localidade residencial próxima ao núcleo do CADIM e associada à sede e às atividades da ARQIMAR em registros locais.

Portal Costa Verde ↗
08Face da baía

Praia do Caju

Topônimo tradicional associado a famílias moradoras e a antigas fontes d’água nas narrativas reunidas em história oral.

Memórias da Ilha ↗
09Pesca e parentesco

João Manoel

Também João Manuel ou João Emanuel. Uma localidade de moradia, pesca e caminhos d’água na memória da comunidade.

Coleção Costa Verde ↗
10Vida associativa

Praia do Sítio

Localidade comunitária historicamente associada ao endereço da ARQIMAR. Fontes recentes divergem sobre sua posição exata.

Arquivo ARQIMAR ↗
11Pequena enseada

Prainha

Nome registrado entre as localidades tradicionais do setor insular; sua referência cartográfica exige validação local.

Inventário acadêmico ↗
12Camada histórica

Praia da Armação

Núcleo relacionado às ruínas da antiga fazenda e à ocupação oitocentista. Não é sítio de visitação livre nem lugar para retirada de vestígios.

Arquivo da Marinha ↗

Nomes que pedem escuta

Praia da Cachoeira, Varinha, Restinga e Praia do CADIM aparecem em relatório etnográfico de 2002. Aqui são tratados como topônimos históricos ou comunitários a confirmar com moradores, e não como atrações turísticas autônomas.

Consultar o relatório KOINONIA ↗

Fotografias históricas

O que a câmera enquadrou

Um arquivo entre a propaganda de época e a leitura crítica do presente.

As imagens da escola foram produzidas, em grande parte, por órgãos de imprensa do Estado Novo. Elas documentam edifícios, alunos e cerimônias: mas também exigem perguntas sobre quem fotografou, com qual intenção e quais vidas ficaram fora do quadro.

Vista aérea em preto e branco do complexo da Escola de Pesca Darcy Vargas na década de 1940
Complexo escolar na década de 1940. Reprodução publicada em artigo acadêmico sob CC BY 4.0; matriz arquivística indicada na fonte. Ver artigo e créditos ↗

23, JUN, 1940

Agência Nacional

A chegada de Getúlio Vargas

Uma fotografia registra a comitiva presidencial chegando em um pequeno bonde puxado por alunos. O documento integra o acervo do Arquivo Nacional sob o código BR RJANRIO EH.0.FOT, PRP.1425.

Ver a fotografia no artigo ↗

02, JAN, 1944

Agência Nacional

A igreja, o capelão e os alunos

Outra série mostra a fachada da igreja da escola com alunos e capelão. A reportagem está identificada como BR RJANRIO EH.0.FOT, EVE.8249.

Abrir a ficha da imagem ↗
Ponte de madeira antiga sobre água tranquila na Marambaia
Uma camada material da paisagem contemporânea. Foto: Halley Pacheco de Oliveira, 2012, CC BY-SA 3.0

Nota de direitos. Para reutilizar matrizes históricas em alta resolução, consulte o Arquivo Nacional e os termos de reprodução. Fotografias de moradores exigem também consentimento das pessoas retratadas; por isso, nenhuma imagem comunitária de licença incerta foi copiada para este site.

Serviço do Arquivo Nacional ↗

Depoimentos de moradores

Biografias que sustentam o território

A ilha também se lê por quem pesca, ensina, cuida e lembra.

Os perfis abaixo são sínteses: não citações literais: das entrevistas realizadas entre 2013 e 2014 para o livro Memórias da Ilha da Marambaia. O volume preserva a voz completa de cada participante.

Ler o livro de história oral ↗

Ademir Barcelos

Pescador, cuidado de trilhas, antiga vice-presidência da ARQIMAR

Sua trajetória aproxima pesca artesanal, circulação pelos caminhos da ilha e organização coletiva.

Adriana Barcellos de Carvalho

Professora da Escola Municipal Levy Miranda

A experiência de educar na ilha liga infância, pertencimento e o desafio cotidiano de manter uma escola em território insular.

Alfredo de Lima

Memória familiar da antiga escola

Filho de Joel Rosa de Lima, ex-aluno da Darcy Vargas, faz a história escolar atravessar gerações da mesma família.

Angélica de Lima Marçau Estanislau

Maricultura, igreja católica, ARQIMAR

Seu percurso reúne trabalho no mar, prática religiosa e participação na vida comunitária organizada.

Dulce de Lima Estanislau

Fundação da ARQIMAR, vida religiosa

As lembranças conectam parentesco, fé e a construção coletiva de uma associação para representar a comunidade.

Élcio Santana

Pescador, pastor batista

Uma vida em que trabalho, espiritualidade e conhecimento das águas convivem no mesmo território.

Elói Juvenal Machado

Estudante, pesquisa, pesca

Seu perfil mostra uma geração jovem que articula educação, investigação e continuidade dos saberes locais.

Quilombo e cultura

Permanência, festa e direito

Celebrar também é afirmar que a comunidade está aqui.

Jongo, capoeira, poesia, música, feijoada, ladainhas e festas religiosas aparecem nas memórias e nos encontros públicos. Essas práticas não são espetáculo deslocado do território: fazem parte da organização comunitária, da fé e da transmissão entre gerações.

22ª

20 de novembro de 2025

Festa da Consciência Negra do Quilombo da Marambaia

A edição reuniu poesia, música, dança, jongo, capoeira e feijoada. A Honraria Velha Camila foi entregue ao quilombo, a Dona Almerinda e a Seu Naná: reconhecimento de uma memória feita por pessoas.

Ler o registro da Prefeitura ↗
Corpo e tambor

Jongo em movimento

Moradores lembram formas antigas dançadas depois de ladainhas, com caixas, latas e tambores. A prática atual é uma retomada viva: não uma peça congelada no tempo.

Arquivo público

Exposição no MPF

Do “ficar bom” ao “ficar bem” recebeu mais de 500 visitantes entre 2024 e 2025 e encerrou com moradores, griôs e roda de jongo.

Ver a exposição ↗
Agenda responsável

Evento não é acesso permanente

Festas podem ter autorização e lista nominal específicas. Antes de divulgar ou comparecer, confirme a edição atual com a organização, a ARQIMAR e o CADIM.

Do processo ao título

Uma cronologia do reconhecimento

Datas diferentes contam etapas diferentes. Certificação, decisão judicial, acordo e titulação não são a mesma coisa.

  1. Abertura do processo na Fundação Cultural Palmares.

  2. O Ministério Público Federal ajuíza ação civil pública pela permanência e regularização.

  3. Organização da ARQIMAR, associação da comunidade remanescente de quilombo.

  4. Certificação pela Fundação Cultural Palmares, Portaria nº 23/2005.

  5. O STJ reconhece a proteção possessória e o enquadramento no art. 68 do ADCT.

  6. Termo de Ajustamento de Conduta define regras de coexistência e a área a titular.

  7. Título coletivo emitido pelo Incra: 52,9939 hectares em seis glebas.

  8. O Censo conta 254 residentes no território delimitado, 250 deles quilombolas.

Educação e pesca

Uma correção que importa

A escola de pesca era Darcy Vargas. Levy Miranda foi seu idealizador e diretor.

A expressão “Escola de Pesca Levy Miranda” mistura duas histórias ligadas, mas distintas. A instituição histórica mudou de nome ao longo de três fases; a atual Escola Municipal Levy Miranda homenageia Raphael Levy Miranda e não deve ser apresentada, sem documentação adicional, como continuidade jurídica da antiga escola técnica.

Raphael Levy Miranda

Um projeto educacional à beira-mar

Dirigente do Abrigo do Cristo Redentor, Levy Miranda foi o articulador central do projeto e dirigiu a escola entre 1939 e 1962. O complexo combinava internato, ensino geral, indústria da pesca, navegação, reparo e construção de embarcações.

Pesquisa PUC-Rio ↗
  1. Escola de Pesca Darcy Vargas

    Primeira fase, organizada pelo Abrigo do Cristo Redentor para formar filhos de pescadores locais e jovens de várias regiões do país.

  2. Escola Técnica Darcy Vargas

    O Decreto-Lei nº 4.802/1942 conferiu caráter federal e definiu o ensino da indústria da pesca e da construção naval.

  3. Colégio Técnico Darcy Vargas

    Última fase da instituição histórica, encerrada em 1970.

  4. Bens retornam à União

    O Decreto nº 68.224 autorizou a reincorporação do patrimônio e sua entrega à administração da Marinha.

  5. Escola Municipal Levy Miranda

    Instituição municipal em funcionamento na ilha. Em agosto de 2026, recebeu a primeira turma da Educação de Jovens, Adultos e Idosos.

Se houver autorização

Visitar sem apagar quem vive aqui.

  1. 01

    Confirme por escrito a autorização e o itinerário com as instituições responsáveis.

  2. 02

    Peça consentimento antes de fotografar pessoas, casas, rituais ou instalações militares.

  3. 03

    Priorize condução, alimentação e produtos fornecidos pela comunidade, com remuneração transparente.

  4. 04

    Não colete conchas, plantas, artefatos ou fragmentos de ruínas; leve todo o lixo de volta.

  5. 05

    Não use drone, não acampe, não fundeie e não entre em trilhas fora do que foi autorizado.

  6. 06

    Evite som alto e pisoteio da restinga. A paisagem é habitat, não cenário descartável.

Entardecer dourado sobre as águas da Ilha da Marambaia

O mar muda de cor.
A memória permanece em movimento.

Foto: Luizf.andrade, 2013. CC BY-SA 3.0

Transparência editorial

Fontes, critérios e limites.

Pesquisa consolidada em setembro de 2026 com documentos oficiais, trabalhos acadêmicos, registros comunitários e acervos de imagem. Divergências foram mantidas visíveis; datas e nomes não confirmados foram evitados.

Critério editorial: depoimentos foram resumidos sem criar falas; páginas de turismo foram usadas para nomenclatura e memória local, não como autorização de acesso; datas jurídicas foram conferidas em fontes oficiais.

Este é um projeto editorial independente. Não representa a ARQIMAR, a Marinha do Brasil, o Município de Mangaratiba ou qualquer órgão público.